sábado, 6 de setembro de 2008

The Friend


O que define um amigo?

O nível de cumplicidade entre ambos? Os segredos compartilhados durante anos? Alegrias? Momentos de emoção? Não sei.

Eu sei que, depois de um tempo, amizade vira outra coisa. Uma coisa que não tem nome. Agente se sente seguro, protegido. Sente que, definitivemente, não estamos sozinhos no universo. Sente que o mundo pode desabar, que nada vai acontecer.

Porque agente tem um amigo.

Estou sem dinheiro? Tudo bem, eu tenho um amigo.

Estou extremamente triste? Tudo bem, eu tenho um amigo.

Tive uma atitude absurdamente infantil e imatura? Tudo bem, eu tenho um amigo.

Amigo, pra mim, é aquele cara que senta num banquinho, na frente do salão de jogos e diz que não vai sair de lá até entender o que está acontecendo. É aquele cara que está sofrendo a mais de 200km de você, e mesmo asism, liga. Porque tem certeza que daqui cerca de 2 horas, alguém vai chegar pra salvar o dia. É aquele cara que diz que você não é o lixo que pensa que é. Que diz que você é simples e se importa com o cobrador do pedágio. É o cara que te faz chorar do outro lado do hemisfério, só porque tá com saudade de ver um copo cheio de Coca-Cola com muito gelo, ou um Toddy bem escuro. É o cara que que você chama de irmão.

É o Batman. O robin. E toda Liga da Justiça, junta.

Amigo é a família que a gente escolhe.

Obrigado, Deus por mais um ano com o meu amigo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

The Mother


3 de setembro: aniversário da minha super-mãe, que eu amo mais que tudo.

Parabéns, mama.


PS: Alguém sabe qual é o nome da mãe do Superman? Rs.. irônico.

The Opportunity



Estou aprendendo a reconhecer alguns sinais. Oportunidades, melhor dizendo.

Antes, não prestava muita atenção neles, admito. Mas acho que essa sensibilidade de percepção vem junto com aquela coisa que as pessoas chamam de "crescer". Hoje, é mais fácil olhar para um quadro abstrato, no corredor de um hospital, parar para olhar e concluir que um punhado de linhas azuis em vários tons, contrastam bem com um fundo preto, igualmente cheio de rabiscos. E torna-se genial perceber que, no fundo, são só rabiscos mesmo, mas são lindos e harmônicos rabiscos. Ao menos me faz sentir parte daquilo. É com se eu entendesse o que aquela artista quis pintar. Coisa que antes, eu só obtinha algum sucesso quando a obra retratava alguma rainha da idade média, ou um mamão dentro de um pote.

Hoje, uma oportunidade passou bem diante dos meus olhos. Aliás, a oportunidade olhou pra mim, me contornou, tomando cuidado para não colidir comigo, e continuou me observando. E eu fiz o mesmo, até porque, quando você percebe, o tempo já parou e tudo que você tem a fazer é se entregar àquele momento. Pois bem; continuei fitando aquela oportunidade inédita, na dúvida entre assumir ou não os riscos de sucesso ou fracasso seja qual fosse o resultado da investida. Até o tempo voltar a andar, eu perdê-la de vista e descobrir que eu ainda não estou preparado pra nenhum desses desfechos.

Não, eu não consegui aproveitar a oportunidade. E também não sei se vai acontecer outra vez. Mas eu sei que, se fosse em outro tempo (e um tempo não muito distante), eu provavelmente não teria sobre o que escrever. Isso me deixa contente. É um avanço.

O sono consome minhas entranhas. Mas eu não podia perder a oportunidade de registrar um fato desses.

Perder 2, num só dia, é demais.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

The Flower


Milhões de coisas na cabeça e apenas 23 letras no alfabeto. Vai ser difícil expor tudo nesse espacinho, mesmo com as infinitas combinações de signos e significados que a gramática me proporciona. Até porque, é sempre muito mais difícil falar sobre coisas intangíveis, como sentimentos, ou sensações. Mas eu tenho um blog para alimentar, então..


Era uma vez um ex super-herói que, numa viagem fora de seu planeta natal, encontrou um jardim lindo, com apenas 1 flor, e se encantou com esse jardim. Resolveu então, ficar por ali mesmo, já que a flor era tão especial que valia por mil outras flores similares, e fazia daquele jardim, o mais bonito que aquele homem já havia visto, mesmo sendo uma só.


Conheceu sua nova companheira a fundo. Procurou cuidar dessa nova relação com o maior carinho do mundo, pois não havia no mundo, flor mais cativante. Ele não sabia ao certo, qual fora a última pessoa que havia cuidado da flor, ou se essa pessoa ainda existia. Percebeu então, que alguém ainda tratava daquela flor com cuidado, pois estava vistosa e agradável aos olhos. Mas não achou por mal, contemplar um pouco sua beleza. Assim, toda vez que o tratador estava presente, o ex super-herói se afastava, e observava tudo de longe. Desse modo, passaram-se dias e dias. O tratador daquele jardim, cuidava da sua flor com carinho e cuidado. A flor sentia-se grata, e o recompensava com sua beleza, delicadeza e seu aroma doce.


Certa vez o tratador se ausentou, e a flor começou a ficar murcha. O ex super-herói, preocupado com a flor, resolveu tentar salvá-la. Pensou que podia ele mesmo tratar com o mesmo carinho e atenção, aquela flor tão especial. E tentou. Usou todas as técnicas que sabia. Durante sua dedicada tentativa de cuidar de flor, o tempo parou e o chão desapareceu. Era a melhor coisa que ele fazia em anos, e percebeu que, não só podia, como queria sentir aquela sensação pelo resto da vida.


Só esqueceu de um detalhe: A flor não queria ser tratada por outro. Já havia criado laços com seu tratador. Então, o ex super-herói percebeu que não havia o que salvar naquele jardim. Quem precisava ser salvo, era ele mesmo. Na verdade, o ex super-herói percebeu, naquela hora, que o "ex" já vinha o acompanhando a algum tempo.


Como lembrança, amarrou uma fitinha vermelha num de seus ramos, e voou de volta para seu planeta natal. Voou pra casa com a certeza de que não reencontraria a flor novamente, e que o jardim estaria sempre lindo. Voou pra casa sem dizer à flor, o quão ela era importante e a força que ela possui. Voou feliz, voou depressa.


E assim aconteceu. E as tortas de limão nunca mais foram as mesmas.


Parafraseando David Aames novamente: "..meus sonhos são uma piada de mal gosto.". E eles realmente foram. Pelo menos nesse final de semana.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

The Little Things


As pequenas coisas.

Nada é mais importante do que as pequenas coisas.

Isso é algo que eu só aprendi a algum tempo. Sou relativamente novo nesse ramo dos detalhes. Mas já percebo a diferença que as mais sutis oscilações causam no cotidiano e no interior de uma pessoa. O sentido aguçado e a percepção de tudo que está a minha volta é tanta, que, ultimamente, até propaganda de sabonete me emociona. E isso é bom e ruim.

Bom porque eu não demoro mais tanto tempo pra me acostumar com uma situação irreversível, ou alguma frustração ocasional. "Factóides", como diz meu irmão. E ruim porque minha cabeça passa, a maior parte do tempo, numa usina de sentimentos e reações que é difícil de controlar.

Mas na maioria das vezes, agente cresce com uma situação dessas. Acaba valendo a pena. nesses últimos dias, bastante coisa valeu a pena. Muita coisa emocionou.

Um negro desconhecido, pobre, morador de uma comunidade carente no ABC paulista, que lutou (literalmente) muito, contra todos os tipos de dificuldades, e chegou numa olimpíada, emociona. Principalmente quando o embargo da sua voz, se confunde com a raça e a grandiosidade que emana do seu espírito.

Abraçar um amigo no meio de uma crise de choro, a 30 min. de subir num altar e ser padrinho de casamento da própria irmã, emociona. Principalmente quando você sabe que esse amigo, que sempre se mostrou seguro, com um emocional forte e decidido, é uma rocha de gelatina.

Olhar pela janela, ouvindo aquela música que faz parte da trilha sonora da sua juventude, e ficar hipnotizado com a beleza e o tamanho da lua, emociona. Principalmente quando as lembranças do quarto 16 e as escapadas noturnas até a clareira, estalam na sua frente, como um filme.

Sentar na frente do computador, às 4:14 da manhã e escrever sobre como você se sente, também emociona.

Mas tudo bem. São apenas pequenas coisas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

The Band II


Rock experimental da melhor qualidade.

A banda chama Vício Primavera e é umas das novidades mais criativas e talentosas de hoje. Formada por 5 (por eles mesmos) malditos artistas insones que encontraram na música, um jeito diferente de fazer arte. Apesar de desconhecida e (por enquanto) anônima no cenário nacional, a banda possui raros valores individuais como o vocalista e compositor Mixel, e a guitarra ácida de Lucas Prado.

Destaque para a música "22 pães de maçã". Sua letra venceu o principal concurso literário da cidade de Suzano, na categoria "poesia" em 2007. Compensa cada segundo dos quase 9 minutos de música.

Vale conferir a musicalidade dos moços. Vê se deixa de preguiça e clica aqui logo.

The Colors


Um homem cortado em fatias.

Fiquei com o título da peça na cabeça. Estranho como nossa cabeça guarda o que a gente não faz questão de lembrar, e esquece o que a gente faz questão de guardar. Mas enfim.. é uma boa peça. O texto é bem elitista. Uma frase impactante atrás da outra, daquelas que, quando você tá tentando entender o sentido de uma, vem a outra logo atrás e não te deixa entender nem uma, nem duas, nem a maioria do texto. 50 minutos de catarse literária e emocional de um pseudo-autor que sente mais do que escreve. No geral, uma ótima pedida.

Bom mesmo foi conhecer alguém com superpoderes. A muito tempo não encontrava uma criatura que tivesse, envolto em seu etério, uma cor azulada como a que eu vi. As vezes saía um raiozinho amarelo. Porque amarelo era a cor do dia quando tudo aconteceu. E também tem o vermelho que é a cor da rosa. Rosa essa que tem infinitamente mais pétalas a serem retocadas, do que espinhos a serem aparados. E claro.. o branco. Branco de uma pureza, uma sinceridade, uma simpatia e uma doçura, de fazer chorar. E fez.

Uma pena que essa mistura harmônica de cores, não combine nada com os tons de cinza dessa paleta monocromática que é hoje esse pequeno anti-herói que vos escreve. Mas vai ser difícil esquecer que, sem motivo nenhum, minha campainha tocou e eu tive um dos melhores dias do ano.

Numa noite que tudo deu errado, tudo deu certo. E eu queria muito, de verdade, que tudo continuasse dando muito errado. Mas dá pra saber que não vai dar. Porque o Clark e o Superman não são a mesma coisa.

O dia de hoje mereceria muito mais linhas, mas, infelizmente, já cheguei no meu limite no segundo parágrafo.