
Nesses últimos meses, a idéia parece que resolveu fixar residência definitiva na minha cabeça.
Vou escrever um livro.
Sim, porque plantar uma árvore, eu já plantei quando era criança, na pré-escola. E filho ainda vai demorar, pelo jeito.
Sempre fui bom com as palavras. Me refiro às escritas, pois a falada já me causou estrago suficiente. Não que eu seja um desastre quando abro a boca, mas digamos que, em certas situações, me sairía melhor se tivesse ao alcance da mão, lápis, papel e um tempinho para organizar as idéias. Assim teria evitado mais da metade dos problemas que a impulsividade de atitudes impensadas, e a necessidade de uma resposta imediata, já me causaram.
O problema é o conteúdo, o roteiro, a história (se é que existe uma a ser contada).
De início pensei em escrever um livro de contos. Crônicas de situações específicas que vivenciei com diversas pessoas, nesses anos de vida. Algo semelhante aos clássicos volumes da literatura colegial "Para Gostar de Ler", de Veríssimo, Drummond, Sabino, entre outros. A idéia era, fazer de cada capítulo, uma pequena homenagem, àquelas pessoas que me proporcionaram um história para contar, no futuro. Escrevo, imprimo, encaderno, procuro pessoa por pessoa e digo: "Tó. Acabei de escrever um livro e tem um capítulo especialmente pra você, aí dentro.". Mas não sei se é a melhor opção. Não por falta de ter o que contar, mas pela seletividade de leitores.
Depois pensei em dissertar. Contar uma história criativa, com uma trama bem elaborada e personagens marcantes, colocando meu ponto de vista a serviço da literatura amadora e inexperiente, de um locutor preguiçoso, indisciplinado e inseguro com relação aos textos que produz. Ou seja: outra opção engavetada.
Ao mesmo tempo que tenho tanta coisa, para dizer a tanta gente, não acho meios de combinar as 23 letras que tenho à minha disposição, nas palavras exatas, que se organizem em frases coerentes se fazendo entender, e que consigam atingir seu objetivo.
Alguém tem uma idéia? Qualquer ajuda é bem vinda, ok?
Meu medo é acabar escrevendo títulos de capítulos como "A Anti-Foda Chamada Jorge Wilsterman no Porão do Primo", ou "O Amor Impossível de Um Cigaro de Cravo e Uma Folha de Louro, na Farmácia", ou "O Irmão Grilo de Olho Azul no Interior De Sp".
Deus do céu..