domingo, 27 de julho de 2008

The Mosaic



Eu costumava ser engraçado.

Era divertido, otimista. Tinha sempre uma piada na ponta da língua pra fazer sobre qualquer situação. Adorava ser o centro das atenções. Era excelente conquistar pessoas, simplesmente por ser dono de uma personalidade agradável e agir sempre com o objetivo de deixar todos à minha volta, encantados e admirados. Eu sabia fazer isso.

Eram raros os finais de semana em que eu ficava em casa. Ao nosso grupo de amigos, amanhecia o pensamento com nossos Moinhos, que não eram de vento, mas sim matinês que terminavam as 10. Dessa fase áurea, ainda me lembro da já extinta Kripton (qualquer semelhança com meu planeta natal é mera coincidência ok?). Ótimas lembranças.

Aos 15 anos eu descobri de fato, que existia no mundo, algo capaz de acabar totalmente com a minha vida e ao mesmo tempo, me proporcionar os melhores momentos que eu poderia ter. Descobri seu enorme potencial de destruição e, junto, descobri também que aquilo poderia mudar minha vida pra sempre, dali em diante. E eu estava certo em tudo.

Mulheres.

Hoje eu não tenho mais aquele senso de diversão de antes. Ok, conservo o bom-humor pois talvez, minha essência não me permita abrir mão de certas características, mas muita coisa mudou.

O otimismo foi embora. E não voltou mais. As piadas na ponta da língua não surgem com tanta facilidade como antes, e quando surgem, se perdem em algum lugar, no longo caminho que se construiu ao longo desse tempo, entre o pensamento e a boca. Hoje também não sou maiso centro das atenções. Longe disso. Consigo chegar no máximo na periferia das atenções. A parte de conquistar pessoas também não é a mesma. Talvez as pessoas não queiram mais ser conquistadas por personalidades e atitudes. Talvez hoje, outras coisas pesem mais para tal. Ou talvez eu precise apenas sair mais de casa. Enfim.. aceito sugestões.

Hoje, eu vivo simplesmente com os melhores restos que um passado memorável, me permite usar. É como se os fragmentos mais importantes.. as características mais marcantes de uma outra pessoa, numa outra época, pudessem ser colados hoje, formando um bloco único.

Como um mosaico.

Antes, eu tinha a exata convicção de quem eu era. E eu tinha certeza que eu era engraçado.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

The Silence



Hoje eu não quero escrever.

Não quero escrever que os melhores dias do ano, até agora, eu passei na praia. E eu odeio praia.

Não estou com a mínima vontade de escrever que coisas que tinham grande importância no começo do ano, hoje me causam náuseas só de lembrar. Entretanto, outras coisas ganharam mais importância ainda.

Me recuso a escrever que com o tempo agente percebe que tudo na vida é frágil como casca de ovo. Relacionamentos principalmente. E de qualquer natureza. E percebe também (parafraseando Harvey Dent) que, ou morre-se herói, ou vive-se o suficiente pra se tornar vilão. Muitas coisas dentro de mim são assim atualmente. Ou já morreram, ou permaneceram tempo suficiente e se tornaram ruins. Ok, existem excessões. Poucas, mas existem.

Hoje eu não quero escrever.

Não quero ter que colocar em palavras minha ansiedade e minha impaciência em esperar por coisas que eu nunca vou saber quando vem, ou se vem. Porque isso é uma merda. Não tenho condições de fazer, ter ou falar metade das coisas que eu gostaria. E eu não quero escrever sobre isso!

Não tenho vontade de escrever da necessidade que eu sinto de ser mais de uma pessoa, ou de estar em vários lugares ao mesmo tempo, porque sendo apenas 1 fica impossível alcançar todo e todos. Assim como fica difícil abraçar e mundo, atitude de uma ex-amiga, que eu tanto critiquei. Aliás, adoraria pedir desculpas, mas como já foi dito, hoje eu sou um ex-amigo. Adoraria também que ela pudesse ler isso. Assim ela ia ler também o meu mais sincero foda-se. Não falo disso a anos.. não vou falar agora.

Não quero ter que escrever que a porcentagem das pessoas que realmente merecem minha atenção e a minha dedicação, é mínima. A maioria dos amigos não ligam se você não ligar. Não querem saber se você está bem ou mal, mesmo que você queira saber o mesmo deles. Não sentem a mesma falta.. não dão o mesmo valor. Mas o pior é não querer escrever que eu fico extremamente decepcionado com isso. Porque me chateia. E não era pra acontecer.

Mas, sem dúvida, a coisa que eu menos quero comentar é a expectativa absurda que eu ainda mantenho de que as coisas vão sair do jeito que eu quero. Não consigo lembrar da última vez que alguma coisa saiu do jeito que eu quis.

Leitores, aprendam: As coisas nunca saem do jeito que agente espera. Nunca.

Mas isso tudo não tem a menor importância, porque vem de uma pessoa que não quer mesmo escrever.

Ácido. Essa é a palavra.

domingo, 6 de julho de 2008

The Years

10 anos.
O que acontece em 10 anos? Bom, vejamos:

A 10 anos atrás, no colégio, eu estudava na melhor turma que eu já tive em toda a minha vida. Vinha de um ano bastante conturbado (1997) e, na verdade, tinha poucas opções: Ou eu tomava jeito e estudava, ou inevitavelmente eu faria aquele ano letivo outra vez.

Com aquela turma, não foi nada difícil escolher.

Ainda no ambiente escolar: Conheci 3 caras que me deram todos os troféus de campeonatos intercolegiais que eu tenho na minha estante. Bruno, Lê e Cacá. Esse último, infelizmente já não está mais com a gente. O fato é que o time do colégio dequele ano era tão bom que nós fazíamos bolão pra ver quem acertava quantos gols nós faríamos no jogo. Assim, qualquer lugar no time já tava de bom tamanho. E já que, com a bola no pé eu era uma negação (melhorei muito desde então, ok?), me restou o gol. Na reserva, claro, porque o titular era o tal do Lê, que pegava até pensamento. Pra minha sorte, a panela toda era reserva. Só o Léo q entrava de vez em qdo pra segurar a bola. Isso tudo, rendia, além dos tais troféus, pontos a mais num ambiente em que o convívio social, o status e bons contatos, é tudo.

A 10 anos, a panela começava a se formar.. a criar raízes. A 10 anos atrás eu conhecia um cara que iria mudar minha vida. Uma pessoa que foi, é e vai ser por muito tempo meu grilo falante, minha consciência. A 10 anos atrás, minha amizade mais antiga ganhava uma força descomunal. O que antes era um amigo muito importante, se tornou um irmão. E nessa família também entrou um gordinho bem folgado e um cabeçudo mulherengo. Pronto. Era o projeto do maior e mais importante círculo de amizade da vida de 5 pessoas que não tinham nada em comum, senão o carinho, a disposição, e a cumplicidade de um pelo outro.

A 10 anos atrás eu tinha o melhor carnaval da minha vida. A lista dos acontecimentos daqueles 15 dias numa cidadezinha do interior, não seria possível de ser escrita aqui. Não pelo conteúdo, mas pela quantidade de coisas. A maioria marcante. Pra sempre.

A 10 anos atrás eu fazia minha 1ª viagem pro exterior. Que, aliás, foi um horror. Eu me lembro que fui o único da excursão que teve a mala destroçada pelo carrinho de bagagem, logo no 1º dia. Depois esqueci meu tênis num banquinho do hotel da Disney, depois de um jogo de futebol com argentinos. Jogo esse que nós, brasileiros, ganhamos. Encontrei meu tênis todo pixado, enroscado nos fios de alta tensão do estacionamento do hotel. Argentinos fdp.

A 10 anos atrás eu participava da melhor temporada de acampamento que eu já fui, em todos os tempos. Teve de tudo: aventura, romance, suspense, terror, comédia, drama, musicais, esportes, e o mais importante: excelentes lembranças e uma saudade que vai durar eternamente.

Como se não bastasse, a 10 anos atrás eu vi o Brasil perder um copa do mundo. Lembro também que eu fui o último a sair do salão que o hotel disponibilizou para os brasileiros pudessem assistir a final. Não acreditava que o país do futebol tinha acabado de tomar de 3 a 0 de um outro sem nenhum título mundial. E não acreditava que, a noite, eu ia topar com franceses pelas ruas de Tampa, nos EUA, que gritavam mais que minha mãe quando vê uma pomba (minha mãe odeia pombas.. muito). Agora, de verdade: Quando que franceses vão pros EUA? Nunca! Foi uma experiência péssima.

Em compensação, a 10 anos atrás eu via meu time ser Campeão Brasileiro de futebol. Sei a escalação de cor: Dida, Gamarra, Batata, Silvinho, Índio, Rincón, Vampeta, Marcelinho. Ricarinho. Edílson e Luizão. Timão. Lembro até onde eu estava. Naquela mesma cidadezinha do carnaval. Irônico.

A 10 anos atrás, meu pai ganhava super bem e eu não tinha preocupação com nada. Aliás, a 10 anos atrás eu era um garoto inconseqüente, irresponsável e vagal, muito vagal. A 10 anos atrás eu magoava pessoas das quais eu me arrependeria profundamente, alguns anos depois. Algumas me perdoaram e hoje, têm uma influência importante na minha vida. Outras não conseguiram. E isso dói mais em mim hoje, do que doeram nas mesmas a 10 anos atrás. Fato.

A 10 anos atrás, eu tinha um dos melhores (senão o melhor) ano da minha vida.

Hoje, 10 anos depois, eu raramente vou pra cidadezinha. Os acontecimentos daquele ano, deixaram desdobramentos profundos na vida de muita gente. Meus carnavais são comemorados em lugares como minha sala, meu quarto, ou minha cozinha, no máximo. Como eu costumo falar, aquela cidade me dá muito trabalho.

Hoje eu não sou mais goleiro. Desenvolvi uma coordenação com as 2 pernas suficiente para não precisar mais defender a baliza. Mas não jog mais tanto futebol como antes. O cigarro e um músculo tibial anterior parcialmente rompido numa pelada, colaboram pra o não-jogo.

Acabei repetindo de ano não uma, mas 2 vezes. Por outro lado, entrei numa faculdade razoável, num curso relativemente concorrido e meu desempenho acadêmico foi sensacional. Aliás, meu desempenho no bar também foi.

Hoje eu não vou mais pro acampamento. Mas ainda mantenho contato com algumas pessoas especiais que surgiram daquele tempo mágico. E sou muito grato a Deus por isso.

O Brasil já ganhou outra copa do mundo, já perdeu outra. Meu time já foi Campeão Brasileiro mais 2 vezes e hojem encontra-se numa divisão inferior à da elite do futebol nacional.

Quanto à mim, muita coisa mudou. 10 anos é tempo suficiente pra vida ensinar coisas que nós nunca imaginaríamos passar, e conseqüentemente, aprender. Queria poder ouvir, da boca das pessoas que nesses 10 anos estiveram comigo, que eu mudei. Porque a 10 anos atrás, algumas coisas não são tão importantes como são agora.

Alguém?

sábado, 5 de julho de 2008

The Band

A melhor coisa que eu ouvi de uns tempos pra cá.

A banda chama Stereophonics. É Inglesa. A foto acima é do melhor álbum dos caras, e esse moço aí na foto é o vocalista: Kelly Jones. Aliás, o rapaz tem uma voz rouca que eu acho que faz toda a diferença.


A dica é escutar "Maybe Tomorrow", na versão do disco aí de cima. Se alguem tiver paciência, curiosidade e bom-gosto, vale a pena clicar aqui e conferir. Outras duas imperdíveis são "Dakota" e "Mr. Writter".


Som pra ouvir dentro do carro, com as janelas abertas.

The Letters

Decidi seguir o conselho de uma velha amiga e voltar a escrever. Costumava gostar disso. Acho que ainda gosto.

Mas ainda não voltei. Por enquanto só mostro o nariz pra fora da porta, porque a última rajada de vento ainda faz doer os ossos.

Não sei quanto tempo isso vai durar, ou quantas almas errantes irão ler o que eu, instintivamente e totalmente despreocupado com a razão e o bom-senso, irei escrever por essas linhas, mas enfim.. poucas coisas na vida me dão tanto prazer como ler, escrever, assoprar dente-de-leão, e comer meu macarrão com molho laranja, então acho que esse aqui deve durar mais do que os outros.

Impressionante como a vida é instável, imprevisível e surpreendente.

Instável porque a maioria de nós não conseguimos manter um linha constante de pensamentos, atitudes, satisfações e desejos por mais de alguns meses. Aliás, em certos casos, esse prazo se resume em dias. Ok: existem valores, preferências ou afinidades que não são tão fáceis de substituir ou se alterar. Pelo contrário. Algumas delas criam raízes com o tempo e se tornam praticamente impossíveis de serem alteradas. Como seu time do coração por ex. Mas esse é um outro assunto.

Imprevisível porque essa montanha-russa já é conhecida desde que se tem notícia. Posso dar um conselho? Além do filtro solar, usem casacos de pele, blusas de lã, luvas, gorros e meias grossas. Assim ficamos todos protegidos de rajadas de vento congelantes, em dias que o sol parece estar cumprindo normalmente seu papel. (Ok, eu também não sou muito fã de metáforas.)

E enfim, surpreendente.

Surpreendente porque a forma como a providência divina cuida das coisas pra que tudo aconteça no seu tempo certo, e do seu jeito certo, chega a ser irritante de tão pefeita. Vou parar de achar que as coisas tem que acontecer quando eu quero que aconteçam, do jeito que eu quero que aconteçam. Mas faço questão de esperar o dia em que a vida vai me dar a oportunidade de consertar algumas coisas que ficaram plo caminho.

Uma outra velha amiga me disse uma vez, que adorava o jeito como eu escrevia porque eu separava os parágrafos, nos e-mails.. Detalhes. Nada é mais importante.

Eu, que jurei que não ia escrever muito hoje, acabei de me lembrar do quão envolvente as palavras são comigo. Portanto, por hoje é só.

Hoje o post é dedicado à Tati e seu contagiante jeito de colocar uma letra na frente da outra.