quarta-feira, 22 de julho de 2009

The Professional



Eu, publicitário.

Eu odeio tons pastéis. Mas o cliente gosta. Então, eu passo a amar tons pastéis. Costumo chamar os tons pastéis de bunda. Exemplo: "..isso, agora joga esse verde bunda aí, que fica bonito..". Mas se o cliente gosta, ótimo. Até porque, geralmente, cliente que gosta de tons pastéis, também um cliente bunda. Essa é uma vantagem de ser publicitário.. a adaptação rápida a qualquer tipo de situação. Somos praticamente camaleões da sociedade.

O publicitário não costuma ter um perfil definido. Existem aquele tipo cabeludo que vive com fones de ouvido, ouvindo Megadeth.. existe o tipo neo-playboy, que acha que ninguém sabe que ele ganha míseros 800 reais como trainee, e mesmo assim, não dispensa o gel no cabelo, o sorriso no canto da boca e o ar de empresário bem-sucedido. Existe também o contra-regra. No teatro, a grosso modo, o contra-regra é a pessoa que ajuda em tudo, faz tudo, mas não é bom em nada. Funciona mais ou menos assim num agência ou num depto. O cidadão, por não ter nenhum talento específico, acaba fazendo o impossível para estar por dentro de tudo, sempre pronto para mostrar iniciativa e conhecimento. Existem outros diversos tipos, mas como eujá falei, publicitarios são camaleões.

Um erro que se comete muito com os publicitários é a falsa idéia de que todo profissional de publicidade é uma usina de idéias. Já perdi a conta de quantas vezes eu ouvi frases do tipo: "..dá uma idéia vai.. você é publicitário..". Gente, publicitário, as vezes, não tem idéia nenhuma. E isso é normal, ok? Não nos olhem com aquela cara de "..tadinho.. tá na profissão errada.," porque idéias, não são iguais a pão quente, que sai a cada meia hora! Aliás.. as pessoas se esquecem dessa nossa "super capacidade intelectual" bem rápido quando apresentamos a conta. Aí, o publicitário vira um asno completo. Sim, porque tudo q ele fez é fácil de fazer.. Profissãozinha de vagabundo baderneiro essa viu?!

E que fique registrado também que nem todo publicitário é criativo! E quando é, não transpira criatividade! Ufa.. precisava desse desabafo.

Ah.. mas publicitário ganha bem.

Será? Quantos Olivetto's, Justus e Nizan's existem por aí? Aliás, um veterinário coletor de sêmen de búfalo também ganha bem. Mas o trabalho, não deve ser moleza. Como o nosso. Muitas vezes, varamos a noite numa produção de campanha.. comemos pão com mortadela, fanta uva no copo de plástico, e dormimos no carpete da sala de reunião da agência. O glamour fica para a Meio&Mensagem.

O mercado está saturado de publicitários. Uma vaga numa agência grande requer anos de estudo, especializações e um currículo impecável. Ou um QI ótimo. Ouvimos a expressão "marketero filho da puta" todo mês, trabalhamos com prazos apertados e aguentamos clientes estúpidos!

Mas amamos o que fazemos. Afinal, de que adianta comer a mulher mais gostosa da cidade, se ninguém ficar sabendo?

Publicidade, amigos.. foi, é, e sempre vai ser.. a alma do negócio.


ps: anúncio criado pelo meu brilhante professor de marketing, Fernando Cury.

terça-feira, 21 de julho de 2009

The Ideas


Invenções que revolucionariam o mundo:


  • Assento aquecido de vaso sanitário;
  • Yakult 2 litros;

  • Manteiga roll-on (manja cola Pritt?);

  • Drive-Thru na padaria;

  • Mixirica com zíper;

  • Água em pó;

Deus do céu.. preciso de algo para fazer, urgente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

The Mystery


Mocinho na balada, dançando alucinadamente, com um copo de vodka com Red Bull na mão.

Mocinha, amiga do mocinho, repara na cena e, perdendo uma ótima oportunidade de ficar quieta, pergunta para o mocinho em alto e bom som, para todos os demais ouvirem:

- Dan, porque você faz biquinho quando dança?



E assim, desfaz-se uma reputação.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

The Caos


Sempre gostei de fazer planos. E para tudo. Cada segmento da minha vida, tinha um planejamento a ser seguido e terminava de uma forma que eu sabia exatamente qual era. Tinha tudo acertado. Tudo perfeitamente elaborado na minha cabeça, para que as coisas dessem certo. Só me esqueci de combinar tudo isso, antes, com o destino.

Queria que todos os meu planos tivessem saído conforme eu desejei.

Imaginei meus amigos leais e fiéis, um ao outro, pelo resto das nossas vidas. Imaginei um futuro onde cada um conheceria os filhos, filhas e esposas dos outros, e esses teriam orgulho de tal amizade; tão longa e sincera. Imaginei homens de sufixo "enta", relativos à idade, impressos pelo tempo, ao redor de uma mesa, conversando sobre tempos em que o vigor da adolescência, combinado com a sede insaciável de viver cada minuto, pareciam as únicas coisas ao alcance das nossas preocupações. Época em que tínhamos uma visão abençoadamente limitada.

Imaginei também meu casamento de diversas formas. Uma mais diferente e inesperada que a outra. Mas sempre com a mesma pessoa. Afinal, quando se é adolescente, tudo na vida parece ter uma tendência natural a não acabar nunca. E conforme o tempo passa, você começa a perceber que era o único a acreditar nisso. Mais surpreso ainda, você fica, quando conlcui que é o único que ainda acredita. E que ainda imagina. Talvez por ser um eterno inconformado com as coisas que o destino me proporciona, quando as mesmas não são como eu sempre achei que deveriam ser.

Certa vez, ouvi de um dos personagens mais marcantes da história do cinema, que quando as coisas não saem como o planejado, estabelece-se o caos. Em outros termos, a frase defende a idéia de que as pessoas fazem planos, porque planos não deixam margem para (ou minimizam-se ao máximo) os erros. Erros levam a desvios de planejamento, que levam ao caos. E o caos encontra terreno fértil e fundamenta sua raiz numa emoção humana em especial, que age como combustível para todas as suas vertentes: o medo. O caos se alimenta de medo.

E eu tenho medo que as coisas continuem acontecendo, diferente do que foi planejado.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

The Doubt


Eu adoro jogar jogos de RPG no pc ou no game. De verdade. São meus preferidos.

Exercita o raciocínio, o pensamento lógico e requer do jogador, mais do que habilidade nos dedos. Até porque, apertar botão, um chimpanzé bem adestrado também sabe.

Mas um importante diferencial nesse jogos é seu complexidade e seu roteiro. Por diversas vezes, eu já cheguei em fases de jogos em que eu não sabia o que fazer. Quem já jogou algo parecido, sabe do que eu estou falando.

De repente, você se vê perdido no jogo. Sem saber para onde ir, ou o que fazer, já que todas as suas opções e ações (supostamente) acabaram. Aí entra o raciocínio e o instinto apurado de quem já está acostumado com essas situações. Refaz-se todos os caminhos percorridos parar atestar que nada foi esquecido, nenhuma porta foi deixada para trás, nem nenhum item ignorado. E quando você se certifica que tudo está em ordem, e mesmo assim, continua travado no mesmo lugar, sempre existe o velho e bom Google para te dar aquela força. Mas sem exageros. Apenas para mostrar exatamente o que fazer naquele momento. Depois você larga o site de busca e volta para o jogo. Senão não tem graça.

Hoje digitei "o que eu faço da vida?" no Google.

Merda de Google.