
Sempre gostei de fazer planos. E para tudo. Cada segmento da minha vida, tinha um planejamento a ser seguido e terminava de uma forma que eu sabia exatamente qual era. Tinha tudo acertado. Tudo perfeitamente elaborado na minha cabeça, para que as coisas dessem certo. Só me esqueci de combinar tudo isso, antes, com o destino.
Queria que todos os meu planos tivessem saído conforme eu desejei.
Imaginei meus amigos leais e fiéis, um ao outro, pelo resto das nossas vidas. Imaginei um futuro onde cada um conheceria os filhos, filhas e esposas dos outros, e esses teriam orgulho de tal amizade; tão longa e sincera. Imaginei homens de sufixo "enta", relativos à idade, impressos pelo tempo, ao redor de uma mesa, conversando sobre tempos em que o vigor da adolescência, combinado com a sede insaciável de viver cada minuto, pareciam as únicas coisas ao alcance das nossas preocupações. Época em que tínhamos uma visão abençoadamente limitada.
Imaginei também meu casamento de diversas formas. Uma mais diferente e inesperada que a outra. Mas sempre com a mesma pessoa. Afinal, quando se é adolescente, tudo na vida parece ter uma tendência natural a não acabar nunca. E conforme o tempo passa, você começa a perceber que era o único a acreditar nisso. Mais surpreso ainda, você fica, quando conlcui que é o único que ainda acredita. E que ainda imagina. Talvez por ser um eterno inconformado com as coisas que o destino me proporciona, quando as mesmas não são como eu sempre achei que deveriam ser.
Certa vez, ouvi de um dos personagens mais marcantes da história do cinema, que quando as coisas não saem como o planejado, estabelece-se o caos. Em outros termos, a frase defende a idéia de que as pessoas fazem planos, porque planos não deixam margem para (ou minimizam-se ao máximo) os erros. Erros levam a desvios de planejamento, que levam ao caos. E o caos encontra terreno fértil e fundamenta sua raiz numa emoção humana em especial, que age como combustível para todas as suas vertentes: o medo. O caos se alimenta de medo.
E eu tenho medo que as coisas continuem acontecendo, diferente do que foi planejado.


2 comentários:
De tudo, ficaram três coisas...
A certeza de que estamos sempre começando;
A certeza de que é preciso continuar;
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.
Portanto, devemos...
Fazer da interrupção um caminho novo;
Da queda um passo de dança;
Do medo uma escada;
Do sonho uma ponte;
Da procura um encontro.
não planeje...apenas viva.
concordo.
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