
As pequenas coisas.
Nada é mais importante do que as pequenas coisas.
Isso é algo que eu só aprendi a algum tempo. Sou relativamente novo nesse ramo dos detalhes. Mas já percebo a diferença que as mais sutis oscilações causam no cotidiano e no interior de uma pessoa. O sentido aguçado e a percepção de tudo que está a minha volta é tanta, que, ultimamente, até propaganda de sabonete me emociona. E isso é bom e ruim.
Bom porque eu não demoro mais tanto tempo pra me acostumar com uma situação irreversível, ou alguma frustração ocasional. "Factóides", como diz meu irmão. E ruim porque minha cabeça passa, a maior parte do tempo, numa usina de sentimentos e reações que é difícil de controlar.
Mas na maioria das vezes, agente cresce com uma situação dessas. Acaba valendo a pena. nesses últimos dias, bastante coisa valeu a pena. Muita coisa emocionou.
Um negro desconhecido, pobre, morador de uma comunidade carente no ABC paulista, que lutou (literalmente) muito, contra todos os tipos de dificuldades, e chegou numa olimpíada, emociona. Principalmente quando o embargo da sua voz, se confunde com a raça e a grandiosidade que emana do seu espírito.
Abraçar um amigo no meio de uma crise de choro, a 30 min. de subir num altar e ser padrinho de casamento da própria irmã, emociona. Principalmente quando você sabe que esse amigo, que sempre se mostrou seguro, com um emocional forte e decidido, é uma rocha de gelatina.
Olhar pela janela, ouvindo aquela música que faz parte da trilha sonora da sua juventude, e ficar hipnotizado com a beleza e o tamanho da lua, emociona. Principalmente quando as lembranças do quarto 16 e as escapadas noturnas até a clareira, estalam na sua frente, como um filme.
Sentar na frente do computador, às 4:14 da manhã e escrever sobre como você se sente, também emociona.
Mas tudo bem. São apenas pequenas coisas.


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