
Estou aprendendo a reconhecer alguns sinais. Oportunidades, melhor dizendo.
Antes, não prestava muita atenção neles, admito. Mas acho que essa sensibilidade de percepção vem junto com aquela coisa que as pessoas chamam de "crescer". Hoje, é mais fácil olhar para um quadro abstrato, no corredor de um hospital, parar para olhar e concluir que um punhado de linhas azuis em vários tons, contrastam bem com um fundo preto, igualmente cheio de rabiscos. E torna-se genial perceber que, no fundo, são só rabiscos mesmo, mas são lindos e harmônicos rabiscos. Ao menos me faz sentir parte daquilo. É com se eu entendesse o que aquela artista quis pintar. Coisa que antes, eu só obtinha algum sucesso quando a obra retratava alguma rainha da idade média, ou um mamão dentro de um pote.
Hoje, uma oportunidade passou bem diante dos meus olhos. Aliás, a oportunidade olhou pra mim, me contornou, tomando cuidado para não colidir comigo, e continuou me observando. E eu fiz o mesmo, até porque, quando você percebe, o tempo já parou e tudo que você tem a fazer é se entregar àquele momento. Pois bem; continuei fitando aquela oportunidade inédita, na dúvida entre assumir ou não os riscos de sucesso ou fracasso seja qual fosse o resultado da investida. Até o tempo voltar a andar, eu perdê-la de vista e descobrir que eu ainda não estou preparado pra nenhum desses desfechos.
Não, eu não consegui aproveitar a oportunidade. E também não sei se vai acontecer outra vez. Mas eu sei que, se fosse em outro tempo (e um tempo não muito distante), eu provavelmente não teria sobre o que escrever. Isso me deixa contente. É um avanço.
O sono consome minhas entranhas. Mas eu não podia perder a oportunidade de registrar um fato desses.
Perder 2, num só dia, é demais.


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