segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tha Phase


Já a algum tempo, não tenho uma idéia verdadeiramente original. E isso é algo que me preocupa. As vezes me pergunto se, profissionais da minha área, tem obrigação de ser criativo sempre. Sim, porque eu já não ando sendo tanto. Nem os textos saem mais do jeito saíam. Nem em quantidade, nem em qualidade.

Deve ser uma fase. Deve ser por causa dos últimos acontecimentos por aqui, e dos não-acontecimentos por aí.

É.. deve ser.

Já a algum tempo não leio algo verdadeiramente interessante. Não sei se procuro nos lugares errados, ou se tenho um dedo podre para livros. O fato de eu gostar de ler, parece que ativa uma força universal inversamente contrária à essa predileção, e impede que eu escolha, por mim mesmo, títulos decentes. Aliás, aboli da minha vida literatura estrangeira. De agora em diante só escritores (as) nacionais. E indicados.

Deve ser uma fase. Deve ser por causa dos últimos acontecimentos por aqui, e dos não-acontecimentos por aí.

É.. deve ser.

Já a algum tempo não conheço ninguém interessante. Me lembro que, quando era adolescente, a quantidade de pessoas (desinteressantes, inclusive) novas que eu conhecia por ano, era muito maior do que a de hoje. O mundo mudou tão rápido assim que eu nem percebi? Ou fui eu que achei que o mundo se adaptaria naturalmente ao meu amadurecimento?

Deve ser uma fase. Deve ser por causa dos últimos acontecimentos por aqui, e dos não-acontecimentos por aí.

É.. deve ser.

Já a algum tempo o espelho não reflete mais, o cigarro tem o mesmo gosto, a brisa é quente, o calcanhar dói, os olhos não se abrem fácil, o cabelo não muda, o silêncio é barulhento demais..

Tomara que seja uma fase.

2 comentários:

Tati Bertolucci disse...

deve ser... só uma fase... tem que ser...

quanto aos livros, nessas crises recorra aos clássicos, sempre os clássicos: sagarana (guimaraes rosa sempre); travessuras da menina má (mario vargas llosa) - eu vi que falou em nada de literatura extranjeira, mas vai estar perdendo muita coisa então indico igual - jogo de amarelinha (julio cortazar); cem anos de solidao e o amor nos tempos do coléra (gabriel garcia marques); e comprei um do murakami que ainda nao comecei, espero que valha a pena.

Anônimo disse...

concordo com a Tati, clássicos são sempre clássicos e releituras sempre nos mostram algo que estava escondido nas entrelinhas...
fases passam e nos amadurecem...
quanto a gente nova, e interessante, talvez vc não esteja procurando nos lugares certos.. rsss


beijocasssss