segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

The Old Language



Como é triste a obrigação do "ser".

Mais que isso: como é triste não ser nada. Não ter pelo que lutar, não pertencer a nenhum movimento cultural significativo, não possuir conhecimento de nenhum aspecto político atual, não conseguir absorver nem registrar nenhuma informação útil e relevante, entre outras coisas que a minha geração não consegue realizar. E não ser nada, numa época em que você pode ser o que você quiser, é lamentável. Mas na verdade é isso que somos: tudo e nada.

Tudo, porque nunca na história da humanidade uma geração teve tanto acesso a tecnologia, informação e conhecimento, como nos dias de hoje. A quantidade de coisas a se fazer, a se realizar, construir, conhecer, transformar e criar, são infinitamente maiores hoje do que eram nos tempos dos meus pais. As possibilidades se multiplicaram em razão aritmética em cerca de 20 ou 30 anos, e alcançaram um nível sem precedentes. Hoje compartilho o orgulho e a vergonha de fazer parte da geração mais bem preparada de todos os tempos. E da que menos utiliza os recursos que tem a disposição.

Por isso o nada. Nada, porque somos bombardeados com informações a todo momento, por todos os lados, de todos os jeitos e não conseguimos (como já dito acima) absorver e assimilar 10% do que nos é apresentado. junto com isso, a cobrança que parte do todos os segmentos da sociedade nos torna inseguros, medrosos e arrisco a dizer que nos deixa burros e sem personalidade. Vimos o surgimento e a consolidação do gigante Google, mandamos cartas por e-mail, nosso telefone portátil paga conta de luz, nossa culinária é baseada no microondas.. temos tudo. Só não temos o que nos torna humanos: "razão de ser".

Na verdade, triste mesmo é ver pipocar ao seu redor, "tribos" urbanas que não tem a menor e a mais miserável "razão de ser". Gente que não acrescenta nada, não tem ambição, nem conteúdo, se comporta de maneira agressiva e chocante, usa um dialeto próprio incompreensível, e atrasa o desenvolvimento e a construção de uma sociedade mas justa, honesta e decente. Dúvidas? Vejamos: a juventude de hoje é composta de:

* 60% de gente que trabalha e dá duro para ajudar no sustento da família, que não teve oportunidade de estudo, tem poucos recursos financeiros e vive à margem da sociedade.
* 30% de um pessoal (em geral) de classe média/alta, apolítico, ignorante alienado, arruaceiro, vagabundo, fútil, materialista, e mal-acostumado.
* 10% de gente que, ciente do cenário atual, das suas responsabilidades e dos recursos à disposição, tenta fazer a diferença numa sociedade que herdou a sujeira e a podridão da geração anterior.

A porcentagem e as características variam de acordo com o ponto de vista de cada um, mas não fogem muito disso.

A verdade é que não temos pelo que lutar, nem temos pelo quê fazer barulho. Nos acomodamos na frente da porcaria de um computador, o ópio contemporâneo. É lamentável que eu me sinta um privilegiado porque conheço a gramática da língua portuguesa, e a emprego de maneira correta. Aliás, alguns dos vários árbitros do bom-senso que esse país possui, resolveram modificar diversas regras gramaticais que eu, como bom aluno que fui nas aulas da professora Regina Célia, custei a aprender.

Tá aí. Agora tenho pelo que brigar! Continuarei a escrever da maneira como me ensinaram!

E viva a revolução!


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