sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

The Lesson


Como nasce um post?

Primeiro vem a inquietação. Aquela vontade própria que a palavra adquire quando quer sair de qualquer jeito. Sente-se que há a necessidade de se escrever sobre alguma coisa. Qualquer coisa. Acima de tudo quando já se passam dias do último texto e os dedos começam a coçar, loucos para atacar o teclado e registrar mais uma obra de sua autoria.

Depois procura-se um assunto. Que pode ser um qualquer, mas em geral, neste caso, o que permeiam as postagens ainda são as inquietações, pontos-de-vista e notícias de um mundo sem superpoderes.

Assunto descoberto, passamos para a fase da lapidação, que é quando coloco à disposição do teclado, o tempo e a concentração necessárias para se ter um texto suficientemente apresentável. Alguns gostam de rascunho.. eu sempre achei que rascunho limita e molda o pensamento. Formata o texto de um jeito artificial e pré-estabelecido, transformando-o em algo não muito diferente do que um bolo de fubá. Por isso a minha fase de lapidação é mais direta. Sem rascunhos. Escrevi, está escrito. Assim a idéia fica original, exatamente do jeito que ela saiu do pensamento e virou verbo. Acho mais honesto.

É na fase de lapidação que define-se também o estilo do texto. Dependendo do humor e do estado de espírito do autor, as linhas são mais ou menos eruditas. O tom do texto também é dado na hora, e caminha de mãos dadas com o assunto escolhido inicialmente. Geralmente o tom do texto (melancólico, bem-humorado, irritadiço..) é a cópia fiel do estado emocional, naquele momento, de quem escreve. Por isso acho a ausência de rascunho, fundamental.

É importante dizer também que alguns fatores agem como obstáculos para quem escreve uma postagem em um blog. O Messenger por exemplo, é um inimigo poderoso. Nos interrompe o pensamento a cada 19 segundos, em média, com uma janela laranja piscando incessantemente. Isso sem falar no fator externo: contratempos que atrasam a escrita como curiosos com um pescoço sempre disponível para verificar o conteúdo do seu monitor. Esse, particularmente, é o que mais me irrita. Por essas e outras que o escritor de blog também é um atleta com um nível de concentração de alto rendimento.

Ao final, para ter certeza que um post foi criado, é necessário observar algumas coisas. Se a inquietação deu lugar à uma sensação agradável de bem estar e dever cumprido, há grandes chances da postagem estar pronta. Do mesmo modo, é importante passar os olhos novamente no texto e fazer uma leitura rápida para corrigir eventuais erros de digitação e gramaticais, coisa que deixa qualquer perfeccionista neurótico com ortografia, maluco.

Por último, se escolhe um título para o texto. Sim, porque texto sem título é como pessoa sem nome ou música sem nome. Geralmente essa é a hora de ser poético.. criativo, até porque a escolha de um bom título pode fazer toda a diferença no conjunto da obra. Então tomamos a liberdade de ousar. Procuramos algo que faça uma ligação entre o que foi escrito e uma frase de efeito impactante ou resumimos todo o conteúdo do texto em duas ou três palavras. De qualquer jeito, é um exercício de síntese.

E pronto. Nasceu mais um texto.

Um comentário:

c.h.i.c.o disse...

cada vez mais eu quero escrever no blog e muitas vezes num vem nada à cabeça.
bom texto.
e eu acho que comentários num post é uma forma de "patrocinar" um blog. eu sei que muitas vezes, deve-se escrever para si mesmo, mas saber que alguém lê é bem gratificante.