
Carnaval de 1998. Baile no clube de campo da cidade. Eu tinha 15 anos e estava, naquela ocasião, com um cabelo amarelo. Magrelo, cabeçudo.. e quando alcoolizado, lembrava bastante uma lagartixa com convulsão, na pista de dança.
Não era tão tarde. O baile devia estar no auge e a banda tocava os maiores sucessos do axé music, da época. Nossa turma era de cerca de umas 30 pessoas. Isso sem contar os conhecidos, que não eram necessariamente da turma. Aí o número passava de 50, fácil.
E eu.. bêbado. Fora do corpo.
Vale lembrar que, na época, eu com 15 anos não possuía a menor resistência qto. ao álcool. Algumas latinhas eram suficientes para fazer um estrago completo no meu organismo.
Eis que, de repente, a vocalista da banda propõe um concurso para eleger a pessoa que melhor respresentasse o espírito da "Loira do Tchan", no palco..
Eu não lembro como eu subi, mas em menos de 15 segundos eu estava ao lado da vocalista,o que deixou o resto da turma, claro, pasmo. O que se seguiu foi um misto de perplexidade com crises incontroláveis de riso.
Junto comigo, estavam mais 2 homens que, digamos, levavam muito mais jeito para a dança do que eu. Afinal, nunca passou pela minha cabeça comprar um cd do "É o Tchan". Mesmo bêbado. Por isso, durante os 10 minutos em que os 3 dançaram em cima do palco, se tornou um acontecimento sem precedentes.
Meus passos de dança se resumiam a balançar o eixo do meu corpo de um lado pro outro, como um pêndulo fora de compasso. Ao memso tempo, reuni criatividade suficiente parar fazer movimentos circulares com as mãos na altura da orelha. De vez em quando, arriscava o famoso e infalível "1 pra lá -1 pra cá", deixando os braços soltos para encerar um vidro imaginário que separava, naquele momento, o palco, do público.
É desnecessário dizer que os outros 2 concorrentes executaram perfeitamente a coreografia da música, dando uma verdadeira aula de axé naquele momento.
Ao final da música, a vocalista perguntou ao público qual dos 3 dançarinos, deveria ganhar a disputa. O público foi unânime: fui ovacionado de maneira absoluta por todos os presentes. A vocalista, incrédula, se rendeu ao clamor popular e me anunciou como o vencedor. Ganhei uma camiseta com o nome da banda e fama instantânea, o que pra mim era tudo. É, sem dúvida, uma das coisas que eu jamais vou esquecer. Aliás, aquele carnaval ainda me reservaria muitas situações inesquecíveis.
Hoje, 11 anos depois, ainda me pego recorrendo ao passado quando alguma dificuldade ou situação adversa cruza meu caminho. E não considero isso vergonha nenhuma. Apesar de curto, eu tive até aqui um ótimo passado. Espero que, daqui 11 anos, eu possa ser capaz de recorrer aos dias de hoje quando algo não estiver bem.
E eu ainda tenho a camiseta.







